Publicado por: Patrícia Paz | 02/09/2011

Diálogos

Diário de mãe de adolescente: se a vida é uma piada, tenha filhos para rir dela…
Filha UM: O jornal da escola está sendo avaliado pelo MEC.
Filha DOIS: McDonald’s?
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Publicado por: Patrícia Paz | 02/09/2011

Será?

Aqui abro uma sessão, que costumo usar no Facebook, para as experiências de uma mãe de adolescente. Espero que gostem!

São duas adolescentes, na verdade, e ambas com toques diferentes de humor e sarcasmo. O dia a dia de uma dupla e seus devaneios sobre a vida e a família, onde a vítima principal sou eu: a mãe!

Publicado por: Patrícia Paz | 29/01/2011

A morte no cinema, como ela é…

Ouvimos muito que a vida imita a arte. Em verdade, eu acredito que a arte tenha a pretensão de imitar a vida. Mas o que realmente me fascina é a imitação da morte pela arte. Não a morte que aparece nos filmes de terror, onde um ser invencível e maligno explode cabeças, mata em sonhos ou despedaça corpos com garras. Muito menos seres sobrenaturais amaldiçoados que promovem uma verdadeira carnificina, onde o filme acaba por falta de elenco…

Falo de imitação de mortes da vida real, violentas ou tristes, mas que podemos adaptar para a vida, como ela é. Mortes matadas ou morridas, sempre deixando a impressão de que isso poderia muito bem acontecer com você. Ou, simplesmente, mortes que deixam a reflexão nas mentes dos telespectadores. Mortes da vida comum.

Hoje assisti a adaptação de Os Miseráveis, com Liam Neeson e Geoffreu Rush. Filme mediano, se comparado ao livro, mas mostra o suicídio como consequência de culpa. Onde a personagem de Rush, o inspetor Javert, que passa anos perseguindo Jean Valjean, vivido por Liam Neeson, tem uma forte crise de consciência, perdendo a grande motivação de sua carreira, prender Valjean. Quando percebe a incapacidade de prender o homem que o salvou, viola as leis que tento seguiu durante a vida e se joga no Rio Sena. Fim trágico, não?

Outra morte que emocionou foi a de Willem Dafoe em Platoon, onde sua personagem, o sargento Elias, morre na guerra do Vietnã, durante resgate do que sobrou de seu pelotão. A música estava espetacular, a atuação de Dafoe nem se fala. Aliás, Tom Berenger e Willem Dafoe travam uma luta entre o “bem e o mal” de maneira magnífica, rendendo aos dois as indicações ao Oscar de melhor ator coadjuvante. Vale ressaltar que no cinema, o mal, de uma maneira ou outra, sempre ganha no final. Ou pelo menos, morre por último…

Agora a melhor morte vivida no cinema, em minha humilde opinião, foi a de Sean Connery, em Os Intocáveis. Jim Malone, um policial aposentado recrutado pelo agente federal Eliot Ness, Kevin Costner, para prender Al Capone, Robert De Niro. A atuação de Connery lhe rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante, mas para mim, ele merecia o Oscar de melhor morte principal!

 

Publicado por: Patrícia Paz | 29/01/2011

Túnel do tempo

Em setembro de 2009 eu abandonei um espaço muito especial, que por quatro anos foi um refúgio para mim. Assumi o gesto como amadurecimento, deixando uma fase crua da minha vida para deixar a profissional falar.

Pura balela. A profissional logo ficou preguiçosa, a eterna adolescente não mais se manifestou e a pessoa passou a ser apenas uma assessora de imprensa com textos puramente frios e contextuais. 

Hoje, ao tentar mostrar o link para um amigo, eu tive a oportunidade de reatar com minha adolescente. Reler coisas engraçadas, tristes, verdadeiras… Coisas que me fizeram voltar ao passado. Decidi deixar a menina e eterna aprendiz voltar a falar. Nem sempre fatos agradáveis, nem sempre coisas legais, mas sempre o que vai à alma da revoltadinha sem causa. Ou não! 

Não vou mexer nos textos antigos, com seus confusos pensamentos, erros ou coisa que o valha. Só prometo ser irreverente como antes, matando pombas, xingando tudo e reclamando, sempre!

Publicado por: Patrícia Paz | 28/01/2011

Hello world!

Oi, Povo!

Olha só… Consegui trazer meus devaneios para cá!

Sendo assim, vou continuar enchendo meus dois leitores com sandicas sobre a vida…

O outro blog, http://patriciapaz.wordpress.com/, eu deixo para a jornalista…

Enjoy!

Publicado por: Patrícia Paz | 03/09/2009

Certos dias de chuva…

Para os paulistanos que não acreditaram nas previsões dos meteorologistas o dia terminou de maneira confusa e desagradável. Claro que estou no grupo dos “Tomés” da vida e, como sempre, não portava um guarda-chuva no começo da noite.

 

Como sou uma paulistana nata, sofro de uma rinite terrível e ar-condicionado é meu pior inimigo. Portanto, em dias de muito calor, eu passo por uma metamorfose completa e drástica, começando pelos olhos vermelhos e inchados, passando pelos ouvidos e nariz entupidos, até fechar com chave de ouro e ficar completamente sem possibilidades de respiração adequada. Em resumo, coisa de fresco de clima temperado.

 

Voltando ao assunto do dia, saio do trabalho resignada com a chuva e a falta de provisão para a ocasião e sigo para o metrô. O primeiro obstáculo da volta ao lar é a escada rolante. Eu realmente gostaria de entender o porquê das pessoas não respeitarem uma placa com os dizeres “DEIXE O ACESSO LIVRE PARA PASSAGEM”. Tão simples, tão educado, tão civilizado…

 

O curto espaço da escada rolante livre ao céu, no caso à chuva, eu passo com uma sem noção à minha frente – com o guarda-chuva aberto, portanto protegida da dita – e barrando minha passagem para o espaço coberto do metrô. Se essa pequena atitude já me irrita em dias normais, não posso disfarçar meus instintos assassinos para ocasiões como essa.

 

São normas simples e que proporcionam um convívio pacífico entre desconhecidos, mas que alguns insistem em burlar, em uma demonstração clara de “meu umbigo, O mundo” que só Freud poderia explicar, se ele explicasse algo.

 

Claro que cheguei à minha estação de morada mais molhada que chegaria se não fosse a decrépita conterrânea à minha frente. E, claro, com os mais sinceros votos de tropeços no meio do caminho e várias costelas fora do lugar.

 

Nem vou comentar aqui o já famoso episódio saída/entrada nos vagões do metrô, porque é algo que me recuso a falar. Meu médico pediu para eu não estimular o ódio profundo que sinto ao meu semelhante. Tenho me esforçado muito para não odiar estranhos.

 

Quando chego à saída da estação rumo ao tão esperado lar, outra coisa que me irrita em dias de chuvas, o povo parado à porta da estação, esperando alguém como eu passar e sair xingando a colonização do seu ancestral – que não morreu na porra do navio a caminho das terras tupiniquins – para ficar horrorizado com o linguajar de uma senhora de família quase acima de qualquer suspeita.

 

E assim terminaria minha aventura, se não morasse em São Paulo e não tivesse pequenos problemas de iluminação em dias chuvosos, onde todo meu bairro fica precariamente abastecido, faltando semáforos e, claro, os pedestres esperando – NA CHUVA – os motoristas pararem para conseguirem atravessar uma rua. Mas aí já

é outra história.

Publicado por: Patrícia Paz | 02/09/2009

Quem é o quarto poder?

 

Em 1789, Luis XVI convocou uma reunião geral dos "Estados Maiores", em Versalhes. O Primeiro Poder era constituído de trezentos nobres. O Segundo poder, de trezentos prelados da Igreja. O Terceiro Poder, de seiscentos cidadãos. Alguns anos mais tarde, após a Revolução Francesa, Edmundo Burke olhou para o andar superior onde estava localizada a tribuna de imprensa dos Cidadãos, e disse: “Lá está sentado o Quarto Poder, e seus membros são os mais importantes de todos aqui dentro”. (O Quarto Poder, p. 7)

 

O polêmico Jeffrey Archer nasceu em 1940, fez parte da Câmara dos Comuns em 1969 e foi presidente do Partido Conservador da Inglaterra. Foi nomeado Lorde em 1992 pela Rainha Elizabeth e se tornou escritor de best sellers como Caim e Abel, A Filha Pródiga, Primeiro entre Iguais e Quarto Poder, entre outros.

 

Jeffrey Archer foi considerado culpado em três casos de obstrução da Justiça e um de perjúrio num processo de 1987, onde cumpriu metade de sua sentença de 4 anos na prisão de Hollesley Bay, no condado de East Anglia (leste da Inglaterra), de 2001 até 2003.

 

Mesmo com tantos motivos para avaliar o escritor como “duvidável”, eu aprecio seus livros, a maneira como se desenrola a trama e como o livro dispõe suas personagens. Fora a grande lição que tive sobre a sucessão presidencial americana, em a Filha Pródiga, e o sistema parlamentar britânico, em Primeiro entre Iguais. Mas agora falarei do primeiro livro de Archer que li: O Quarto Poder.

 

Com "O Quarto Poder", Archer mostra o domínio crescente dos meios de comunicação na sociedade em que vivemos. Um domínio que visa cada vez mais atingir todo o mundo, selecionando a informação que circula. Para mostrar esse universo, ele conta a história de Richard Armstrong e Keith Towsend, duas pessoas totalmente diferentes em tudo, mas que acabam seguindo o mesmo trajeto profissional.

 

Um deles era filho de camponês analfabeto, que viveu na Europa devastada por uma guerra amarga e dolorosa. O outro cresceu numa mansão do lado longínquo do mundo, onde a guerra era um punhado de notícia. Um deles era esperto, malicioso, pronto para mudar o destino, até mesmo sua identidade, desde que com isso obtivesse algum lucro momentâneo. O outro era herdeiro de uma família tradicional, treinado desde cedo para exercer um papel público, um rebelde indiferente à aprovação de sua conduta. Um deles ansiava por riqueza, reconhecimento, status. O outro descobriu rapidamente que o verdadeiro poder vem do anonimato.

 

Partindo de suas posições sociais e atravessando dificuldades diversas, os dois protagonistas chegam ao ponto em comum de serem exímios jogadores preparados para qualquer risco em suas batalhas pelo controle do maior império jornalístico do mundo.

 

Um dos pontos interessantes do livro, fora a própria história, é como Archer descreve a vida das personagens desde o nascimento até determinado ponto da vida de ambos, separando por capítulos independentes até o encontro de Armstrong e Towsend.

 

O desenrolar da história é de fácil entendimento: a economia, a política, a manipulação de massas, os jornalistas bananas e dependentes. Mas mostrando que há mais no quarto poder que figuras de ficção e "Cidadãos Kane". E para controlar o império jornalístico, só um jogador com essas características, um Maxwell ambicioso, perigoso e sem escrúpulos.

Publicado por: Patrícia Paz | 27/08/2009

Um réu chamado vítima

 

Estranho ver a postura da polícia, apoiada pela mídia, em condenar a vítima de assalto por uma reação que – muitas vezes -, é involuntária. A vítima de assalto costuma ser criticada por reagir em dado momento no instinto primitivo de proteger seus bens, familiares ou a própria vida.

Se a polícia não consegue desempenhar seu papel com maestria, ou simplesmente cumprir seu dever para com a sociedade, o mais fácil é culpar a vítima pelo incidente. Estava ostentando riqueza, andava pelas ruas da cidade, com o vidro do carro aberto ou porta destravada, estava distraído ou reagiu ao assalto. Argumentos que transformam a pessoa que deveria ser protegida por ela em vilã de uma história macabra.

 

Conselhos como não reaja, não use relógio, não atenda o celular na rua (essa é a pior, para que tenho celular se só vou atendê-lo em casa?), são apenas formas baixas de desculpas para a frase real escondida nas entrelinhas: Não dependa da segurança pública inexistente.

 

O dilema está na tão questionável confiança. Se eu não confio nos órgãos municipais, estaduais e federal, que têm por objetivo minha segurança, a solução é procurar segurança própria e privada. Se eu tenho dinheiro, contrato segurança particular, blindo meu carro (segurado e com alarme) e pago estacionamentos para sentir alguma segurança, pois não podemos ignorar o fato de que todos esses artifícios geram a curiosidade a atraem outro tipo de criminosos, os sequestradores.

 

Se a situação do meu bolso é precária, apelo para a filosofia “dente por dente, olho por olho” e compro uma arma para fazer justiça com as próprias mãos. Outra solução válida é acreditar na segurança divina e rezar para que nada aconteça durante meu infortúnio traslado.

 

O problema é que tanto para o rico, como para o pobre, a reação a uma ação violenta é inesperada e involuntária. Até por isso mesmo a famosa afirmação de que a vítima não era violenta. Não chega a ser uma atitude racional. Travar, reagir, rir ou chorar em situações de estresse não significa uma atitude pensada.

 

Portanto, meus caros dois leitores, vamos reprimir comentários subliminares de que a vítima reagiu, por isso levou o tiro. Tanto a reação como a ação podem ser involuntárias. Eu, por exemplo, serei culpada se o assaltante ordenar que corra. Não moverei um músculo até toda adrenalina do corpo se dissolver naturalmente. Meu crime será a antirreação. Como não tenho dinheiro, que deus me ajude com um empurrão para correr.

Publicado por: Patrícia Paz | 18/06/2009

Morte súbita nos três minutos finais da prorrogação

Era um dia qualquer de agosto, frio matinal batendo na face e a sensação cinematográfica do “primeiro ano do resto de nossas vidas” na veia. Expectativa de curso, estudantes, de vida e crescimento profissional após longos 10 anos em estado estático. Foi assim o primeiro dia de faculdade de jornalismo há quatro anos.

 

Trabalhos, noites e noites em claro revisando conceitos, lendo livros, revendo teses e elaborando textos. Cotidiano de um estudante qualquer, independente da profissão escolhida – cozinheiro ou jornalista. Mas como diria o não sei quem, afinal para que gastar meu latim aqui se eu posso escrever qualquer “coisa” e ganhar um salário mínimo por isso? … Infelizmente, não consigo “emburrecer” para escrever, portanto, como diria Fernando Pessoa, “tudo vale a pena, se a alma não é pequena”… “Valeu a pena?”

 

Não sei ao certo se valeu a pena tanto esforço. Mais uma vez tenho a sensação de presa certa, do tipo “se correr o bicho pega. Se ficar o bicho come”. O diploma de jornalismo será um diferencial, mas para que lado? Se for para achatar ainda mais os salários eu prefiro mentir dizendo que não sou formada, sim porque eu vou concluir os dez dias que faltam. Se for para adquirir vantagem sobre os digitadores de ideias, então falo de minha graduação. E pensar que tinha intenção (até inscrição já havia feito) de uma pós em formação de professor universitário…

 

Minha revolta foi ao nível máximo quando li os argumentos dos ministros que mostraram total desconhecimento da profissão de jornalista. Falou-se em liberdade de expressão e criação literária como formas de impedimento ao tão questionável diploma da categoria.

 

Se formação acadêmica não é garantia de atuação ética no mercado de trabalho, então que caiam todos os cursos de graduação do universo, afinal, não é passando por uma universidade que o cidadão aprende a ter caráter. Visto os inúmeros crimes de colarinho branco de não jornalistas, mas diplomados no Brasil.

 

Refleti, diante das palavras dos ministros, que se para ser cozinheiro basta saber cozinhar, e, num sofismo pobre, para ser jornalista basta saber escrever. Eu posso ser advogada, pois sei o significado de termos como “recurso”, “agravo”, “entrância”, “artigo”, etc. Bem como sei ler a Constituição e os vários estatutos existentes. Chegando a conclusão de que não há a necessidade do diploma de Bacharel em Direito. Posso usar de argumentos bem mais medíocres do que os usados para derrubar uma das poucas exigências decentes criadas na época da ditadura.

 

Li, em um site qualquer (não me lembro qual), que um jornalista comparou o investimento de seu curso a um carro popular. Acho que paguei mais que um carro popular no meu curso de jornalismo. Se sabia escrever antes de ingressar na faculdade? A resposta é sim, afinal, eu precisei ler as questões do vestibular e assinalar uma quantidade razoável de alternativas certas.

 

Se a pergunta for direcionada ao aprendizado dos quatro anos de jornalismo, eu tenho muito que falar. Se precisava da formação superior? Com certeza, apesar do desrespeito a dedicação de quatro anos, eu sinto orgulho de dizer que passei por formação acadêmica.

 

E, aos colegas de profissão que comemoram o fim da exigência do diploma, um aviso: melhor comemorar também a desestruturação salarial, de classe e profissional.

 

Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.

 

Quanto a mim? Sinto-me afogada na praia, após o êxito na travessia do oceano!

 

Patrícia Paz

Jornalista

MTB 53.963-SP

For nothing
Publicado por: Patrícia Paz | 05/05/2009

Aqui jaz uma fumante

           

Fumo desde os 19 anos. Não vou contar a minha pequena introdução ao mundo do tabaco, com 16 anos, quando minha mãe me matou em 10 minutos com Aids por descobrir que fumava um Free. Foi realmente desastroso esse dia.

Eu fumava escondido de todos e de tudo. Claro que não era muito eficaz no esconder, pois fumava no banheiro de casa, mas nenhum contato meu, sejam amigos ou familiares, sabia do feito. Um dia, eu saí do banheiro, uma mistura de cigarro e desodorante, e minha mãe me abordou na cozinha.

A pergunta era simples e exigia uma resposta mais simples ainda, sim ou não. Eu podia esconder, mas mentir jamais. Esse era o lema, a regra e eu sempre segui regras. Respondi com a verdade, sim, eu fumava. Foi o início do fim, pelo menos para uma adolescente de 16 anos. Minha democrática mãe traçou uma linha de vida curta, a la Cristiane F, e me matou com Aids depois de ter me prostituído para adquirir as drogas mais pesadas que passaria a usar. Nem preciso dizer que larguei o singelo Free após essa conversa. Sem falar das mãos de minha mãe em minha cabeça indo de encontro com a parede da cozinha.

Aos 19 anos eu voltei a fumar. Uma enorme besteira, sei disso. Como antes, eu não contei para amigos ou familiares e, como antes e sempre, não fui discreta em esconder o fato, pois largava o cigarro no carro depois de chegar da faculdade.

Um dia, ou melhor, uma noite, eu estacionei o carro na garagem e minha mãe, singela como sempre, me abordou na porta de entrada com a mesma pergunta de três anos antes: você está fumando?

Minha primeira reação foi ver se me encontrava atrás de alguma parede, pois ainda doía o resultado da última vez em que me foi feita a pergunta. Como toda mãe que se presa, ela veio com o discurso antifumo e nada mais fez. Fiquei em uma mistura de alívio e apreensão, mas dei continuidade ao meu tão agradável vício.

Meses depois foi a vez do meu pai descobrir minha fraqueza. Meu fumante pai me viu fumando na chácara que tínhamos em uma cidade qualquer. Eu, com quase 20 anos, tive sensações de criança quando pega em uma grande travessura. E, ainda assim, segui em frente.

Várias ocasiões apareceram para que interrompesse o vício. Uma gravidez, outra… E, para falar a verdade, só ocasiões como essa me faziam largar o meu tão agradável vício. Talvez eu fosse uma dessas pessoas para ficar grávida a cada dez meses, não sei.

Hoje, com trinta e quase todos os anos, eu tenho as mesmas dúvidas em relação ao cigarro. Eu devo parar, mas gosto e sinto prazer em fumar.

Estou em um processo engraçado de encarar o vício. A moda hoje é não ser fumante. Mesmo que o indivíduo seja drogado, bêbado e criminoso, não é fumante. Vale lembrar que comecei a fumar em uma época que o cigarro era moda, não tanto quanto na época da minha avó, mas ainda assim era moda… Agora eu estou em um dilema.

Fato um: o cigarro incomoda muita gente.

Fato dois: o fumante incomoda muito mais.

Vamos ser francos, o fumante é inconveniente, agressivo e folgado. E o não fumante é tanto ou mais. Cada qual na sua!? Que nada, se fumo na rua, um “geração saúde” qualquer olha com cara feia. Tem gente até que diz que fumar em fila de ônibus deveria ser proibido.

Certo, eu desisto! Vamos transformar o mundo em um lugar totalmente saudável. Eu começo com o meu cigarro. E você termina o ciclo. Tira seu carro de circulação, fecha sua fábrica, recicla todo e qualquer material e, se não for reciclável, pára de fabricar. Deixa de lado todo e qualquer produto nocivo à sua saúde e, principalmente, à dos outros. Sim, porque sua maconha é recriminável, assim como sua dose de whisky ou cerveja durante o happy hour. Afinal, você pode matar alguém se ingerir alguma dessas substâncias e sair para um passeio ou voltar para casa alterado.

Pára de produzir substâncias tóxicas, poluir os rios, o ar e mais alguma coisa que transforma o lugar onde EU vivo em um inferno astral. E eu paro com meu vício de fumar cigarro.

Estamos de acordo? Eu me mato aos poucos com o cigarro, que posso jogar o clichê do fumante: vamos morrer um dia, todos… Fumantes ou não. E você? Pode jogar o mesmo clichê?

Então, jaza o cigarro, mas só quando jazer todo o resto.

Patrícia Paz

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